{"id":5474,"date":"2022-07-07T10:45:55","date_gmt":"2022-07-07T13:45:55","guid":{"rendered":"https:\/\/www.campolina.org.br\/?p=5474"},"modified":"2026-02-10T14:11:17","modified_gmt":"2026-02-10T14:11:17","slug":"equilibrio","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/campolina.org.br\/novo\/equilibrio\/","title":{"rendered":"Equil\u00edbrio"},"content":{"rendered":"<style><span data-mce-type=\"bookmark\" style=\"display: inline-block; width: 0px; overflow: hidden; line-height: 0;\" class=\"mce_SELRES_start\">\ufeff<\/span>\/*! elementor - v3.6.7 - 03-07-2022 *\/<br \/>.elementor-widget-image{text-align:center}.elementor-widget-image a{display:inline-block}.elementor-widget-image a img[src$=\".svg\"]{width:48px}.elementor-widget-image img{vertical-align:middle;display:inline-block}<\/style>\n<p><img loading=\"lazy\" decoding=\"async\" src=\"https:\/\/campolina.org.br\/novo\/wp-content\/uploads\/2022\/07\/3-362-1024x683.jpg\" sizes=\"auto, (max-width: 800px) 100vw, 800px\" srcset=\"https:\/\/www.campolina.org.br\/wp-content\/uploads\/2022\/07\/3-362-1024x683.jpg 1024w, https:\/\/www.campolina.org.br\/wp-content\/uploads\/2022\/07\/3-362-300x200.jpg 300w, https:\/\/www.campolina.org.br\/wp-content\/uploads\/2022\/07\/3-362-768x512.jpg 768w, https:\/\/www.campolina.org.br\/wp-content\/uploads\/2022\/07\/3-362-1536x1024.jpg 1536w, https:\/\/www.campolina.org.br\/wp-content\/uploads\/2022\/07\/3-362-2048x1366.jpg 2048w, https:\/\/www.campolina.org.br\/wp-content\/uploads\/2022\/07\/3-362-600x400.jpg 600w\" alt=\"\" width=\"800\" height=\"534\" \/><\/p>\n<p>Quando admiramos um cavalo em liberdade, correndo, saltando, esbanjando nobreza e eleg\u00e2ncia, nem sempre imaginamos a rela\u00e7\u00e3o existente entre os movimentos por ele executados e o equil\u00edbrio necess\u00e1rio para faz\u00ea-lo. Decerto cavalos s\u00e3o criados em fun\u00e7\u00e3o do trabalho que produzem, atrav\u00e9s do movimento. E n\u00e3o ser\u00e1 poss\u00edvel realizar trabalho em movimento, se n\u00e3o houver <b>equil\u00edbrio.<\/b><\/p>\n<p>O mesmo cavalo que podemos imaginar agora, t\u00e3o elegante em liberdade, poder\u00e1 ser visto com a mesma desenvoltura montado por um cavaleiro, desde que lhe seja preservado o equil\u00edbrio. E digo isso porque, no momento que montamos um cavalo sobre seu centro de gravidade, nosso peso nele aplicado promove uma sobrecarga naquele ponto, sem, contudo, ser alterado seu equil\u00edbrio. O equil\u00edbrio est\u00e1tico presente no cavalo em esta\u00e7\u00e3o ser\u00e1 rompido, quando solicitamos do cavalo o \u201cromper\u201d para a frente. Deve-se buscar da\u00ed o equil\u00edbrio din\u00e2mico, para um deslocamento seguro e pleno. Al\u00e9m do apoio sobre a embocadura, do que falaremos \u00e0 frente, s\u00e3o necess\u00e1rias consider\u00e1veis mudan\u00e7as de postura do animal, para que possa transferir seu peso e o do cavaleiro para tr\u00e1s, diminuindo assim a sobrecarga nos membros anteriores e permitindo o movimento de qualidade que se deseja. Um cavalo em atitude \u00e9 aquele que tem restabelecido seu equil\u00edbrio rompido no in\u00edcio do deslocamento, por essas duas condi\u00e7\u00f5es: mudan\u00e7as de postura promovidas e apoio na embocadura.<\/p>\n<p>Todo corpo tem seu centro de gravidade, variando conforme sua forma e sua massa, e seu equil\u00edbrio poder\u00e1 ser alterado de acordo com o movimento. Assim \u00e9 com uma bola, com um carro, com uma pessoa ou um cavalo. \u00c9 interessante como fica mais f\u00e1cil carregarmos um peso que se projeta sobre nosso centro de gravidade que quando o mesmo se encontra fora dele. Uma lavadeira, por exemplo, carrega sobre sua cabe\u00e7a a trouxa de roupas; outra pessoa carrega uma lata d\u2019\u00e1gua, e o fazem com plena desenvoltura, sem perder a liberdade de movimentos. Se imaginarmos uma linha vertical que perfure o centro de nossa cabe\u00e7a e percorra o eixo de nosso corpo, \u00e9 exatamente nessa linha que se encontra nosso centro de gravidade. Da\u00ed a facilidade maior encontrada por uma pessoa, ao carregar o peso por sobre sua cabe\u00e7a, sobre seu centro de gravidade. E com o cavalo n\u00e3o ser\u00e1 diferente, se sobre seu centro de gravidade tamb\u00e9m for projetado o peso por ele carregado.<\/p>\n<p>Se desejamos carregar um corpo em equil\u00edbrio, sem que ele possa pender para qualquer lado, \u00e9 preciso que saibamos onde se encontra seu centro de gravidade, e sob o mesmo sustentar este corpo. Uma mesa retangular, regular em sua forma e com peso igualmente distribu\u00eddo por suas partes, ter\u00e1 seu centro de gravidade numa linha vertical que passe exatamente no centro de sua superf\u00edcie. Comparando ent\u00e3o um cavalo \u00e0 mesa, seriam semelhantes se cort\u00e1ssemos o pesco\u00e7o e a cabe\u00e7a do cavalo. Sustentado pelo meio de sua barriga, iria manter-se sem pender para qualquer lado, para frente ou para tr\u00e1s. Mas n\u00e3o podemos deixar este cavalo por muito tempo sem sua cabe\u00e7a e sem o pesco\u00e7o, e ao recolocarmos, certamente que pender\u00e1 para a frente, pelo peso destas partes. Um cavalo ter\u00e1 na verdade seu centro de gravidade passando por uma linha vertical imagin\u00e1ria que atravesse seu corpo bem pr\u00f3ximo do final de sua cernelha. E para facilitarmos seus movimentos devemos, ao montar este cavalo, projetar nosso corpo o mais pr\u00f3ximo poss\u00edvel desta linha, e numa postura bem vertical, fazendo coincidir nosso peso sobre a mesma linha na qual se encontra o centro de gravidade do cavalo.<\/p>\n<p>Por suas formas irregulares, e por ter seu centro de gravidade deslocado para a frente, o cavalo suporta cerca de 60 % de seu peso sobre seus membros anteriores. Comparando os cascos anteriores e posteriores de um cavalo, percebemos n\u00edtida diferen\u00e7a em sua forma, mais arredondada nos anteriores exatamente pelo maior peso que suportam. Quando montamos este cavalo, sobrecarregamos com nosso peso o seu trem anterior. E ao aplicarmos as \u201cajudas\u201d que comandam o romper para a frente, rompemos o equil\u00edbrio est\u00e1tico. Neste momento s\u00e3o necess\u00e1rias <b>mudan\u00e7as de postura<\/b> para que se tenha recobrado e preservado em din\u00e2mica o equil\u00edbrio rompido. Quais s\u00e3o, veremos mais tarde.<\/p>\n<p>Antes mesmo destas mudan\u00e7as, sabemos indispens\u00e1vel uma condi\u00e7\u00e3o b\u00e1sica para um movimento pleno e de qualidade de um cavalo, montado sob os padr\u00f5es da escola cl\u00e1ssica de equita\u00e7\u00e3o: o apoio. O apoio \u00e9 a press\u00e3o exercida pelo cavalo \u00e0 embocadura, estando as r\u00e9deas ajustadas pelo cavaleiro. Dentre outras raz\u00f5es, a sobrecarga natural no trem anterior aumentada pelo peso do cavaleiro e pela proje\u00e7\u00e3o do corpo do cavalo para frente, por comando a ele aplicado, exige do cavalo a busca do apoio. O movimento para a frente se d\u00e1 pelo deslocamento tamb\u00e9m para a frente do centro de gravidade. Um cavalo que j\u00e1 tem seus anteriores naturalmente sobrecarregados n\u00e3o poder\u00e1 se deslocar para frente com confian\u00e7a, desenvoltura e equil\u00edbrio, a menos que transfira seu peso para tr\u00e1s ou encontre um ponto de apoio. Ou ainda, que apresente ao mesmo tempo essas duas condi\u00e7\u00f5es. E esta \u00faltima possibilidade \u00e9 tida como ideal, para que n\u00e3o seja este apoio uma carga sobre a embocadura e, consequentemente, sobre as m\u00e3os do cavaleiro. Mas tamb\u00e9m que n\u00e3o se retire a impuls\u00e3o, o desejo do cavalo em ir para a frente, muito importante principalmente quando se tem como objetivo maior longos deslocamentos em viagens, cavalgadas e usos semelhantes. Estando apoiado na embocadura o cavalo ganha confian\u00e7a em se deslocar para a frente, partindo ao passo, em marcha ou galope.<\/p>\n<p>As mudan\u00e7as de postura devem se iniciar pela extens\u00e3o do pesco\u00e7o, seguida pela busca da eleva\u00e7\u00e3o da base do pesco\u00e7o. Esta regi\u00e3o se encontra na liga\u00e7\u00e3o do pesco\u00e7o com o tronco, e sua eleva\u00e7\u00e3o deve sofrer a\u00e7\u00e3o dos membros posteriores. Inicia-se ent\u00e3o uma transforma\u00e7\u00e3o na disposi\u00e7\u00e3o da coluna vertebral do cavalo, que passa a se curvar, tornando-se arqueada. As a\u00e7\u00f5es do cavaleiro para que o animal assuma esta postura levam tamb\u00e9m a uma outra mudan\u00e7a, o flexionamento da nuca. Esta altera\u00e7\u00e3o ser\u00e1 mais eficiente a partir da descontra\u00e7\u00e3o do maxilar. A curvatura da coluna se acentua, distanciando-se os processos espinhosos uns dos outros, adquirindo assim a coluna a possibilidade de se tornar mais flex\u00edvel, em favor da comodidade e da continuidade e harmonia dos movimentos. O mesmo arqueamento favorece a descida da garupa, com conseq\u00fcente engajamento dos membros posteriores. Este engajamento se traduz no comprometimento dos membros posteriores em dividir com os anteriores a responsabilidade de suportar o peso do conjunto cavalo-cavaleiro. Acentua-se ent\u00e3o a eleva\u00e7\u00e3o da base do pesco\u00e7o, pela a\u00e7\u00e3o dos membros posteriores adiantados pelo abaixar da garupa, e desta forma o cavalo se encontra em <b>atitude<\/b>.<\/p>\n<p>O posicionamento dos membros posteriores adiantados pelo abaixar da garupa, a eleva\u00e7\u00e3o da base do pesco\u00e7o, acentuando a convexidade da borda dorsal desta regi\u00e3o, juntamente com o flexionamento da nuca, tornam o ponto de equil\u00edbrio mais atrasado. A sobrecarga dos anteriores fica assim aliviada. O engajamento dos posteriores aumenta a condi\u00e7\u00e3o de equil\u00edbrio, quando estes assumem a responsabilidade de suportar o peso, dividindo-a com os anteriores. Desta forma o cavalo recupera a possibilidade de executar as figuras que executava em liberdade, com total equil\u00edbrio, desenvoltura, eleg\u00e2ncia e nobreza, e pode faz\u00ea-lo agora, sob o peso e o comando do cavaleiro.<\/p>\n<p>Por sua conforma\u00e7\u00e3o e posi\u00e7\u00e3o, o pesco\u00e7o pode mobilizar sensivelmente o centro de gravidade do cavalo. Quando se estende, se retrai ou move-se lateralmente, o pesco\u00e7o altera respectivamente para a frente, para tr\u00e1s ou para o lado o centro de gravidade. Por esta raz\u00e3o \u00e9 chamado de<i> leme do cavalo<\/i>.<\/p>\n<p>Outra refer\u00eancia importante ligada agora ao movimento, tornando-o mais ou menos equilibrado, refere-se ao diagrama de apoios no andamento. Quando o tempo de apoio sobre os b\u00edpedes laterais \u00e9 muito longo, h\u00e1 necessidade de o cavalo deslocar seu peso lateralmente, durante o movimento. Permanecendo muito tempo em apoio lateral o cavalo estar\u00e1 vulner\u00e1vel durante este per\u00edodo, sem nenhum apoio no lado oposto. Al\u00e9m do risco de queda, ocorre com freq\u00fc\u00eancia a desorganiza\u00e7\u00e3o, a quebra do ritmo, pela interrup\u00e7\u00e3o repetida do projeto de avan\u00e7o dos membros \u2013 ao inv\u00e9s de avan\u00e7ar, o cavalo precisa usar os membros para apoiar-se, suportando o peso deslocado lateralmente. Esta situa\u00e7\u00e3o est\u00e1 mais ligada ao movimento natural do cavalo que mesmo por altera\u00e7\u00f5es quando do peso do cavaleiro sobre seu tronco. Marcha e passo lateralizados geram estas altera\u00e7\u00f5es, sendo, portanto, desequilibrados.<\/p>\n<p>Quando provocamos o movimento do cavalo em seus diversos andamentos, passo, marcha ou galope, nem sempre percebemos as altera\u00e7\u00f5es impostas ao centro de gravidade do animal. Sendo assim, n\u00e3o percebemos tamb\u00e9m a import\u00e2ncia de se preservar seu equil\u00edbrio. E certamente n\u00e3o sabemos das v\u00e1rias possibilidades de faz\u00ea-lo. A equita\u00e7\u00e3o com suas t\u00e9cnicas, ainda desconhecidas por alguns, nos permite usar o cavalo de forma racional, desenvolvendo suas possibilidades e preservando sua integridade, sua vida \u00fatil, al\u00e9m de criar condi\u00e7\u00f5es seguras para sua utiliza\u00e7\u00e3o.<\/p>\n<p>Cavalo, movimento e equil\u00edbrio se misturam: cavalo sem movimento \u00e9 como pedra; movimento sem equil\u00edbrio, queda; e cavalo sem equil\u00edbrio. . .<\/p>\n<p>Por: <em>Roberto Coelho Naves<\/em><br \/>\n<em>Superintendente de Registros<\/em><\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>Quando admiramos um cavalo em liberdade, correndo, saltando, esbanjando nobreza e eleg\u00e2ncia, nem sempre imaginamos a rela\u00e7\u00e3o existente entre os movimentos por ele executados e o equil\u00edbrio necess\u00e1rio para faz\u00ea-lo. 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